Fechado para balanço

Desculpa, mas eu não ia perder a piada

Quero primeiro pedir desculpas pelo sumiço. Não é a vida de casada, ou a correria do dia-a-dia que me fez ausente daqui do blog. Foi simplesmente não saber mais o que escrever.

Esse blog nasceu numa fase turbulenta e maravilhosa da minha vida que foi a preparação do meu casamento. Eu queria só falar disso o dia todo e pensei que meus amigos já estavam de saco cheio, então decidi falar para a internet toda ouvir e quem se interessasse de verdade que se encontrasse aqui. No meio do caminho acabei falando de outras coisas também, de dança, de arte, enfim, do que cercava a minha vida.

Depois do casamento simplesmente não soube mais o que faria eu voltar aqui. Por isso estou decidindo fechar o blog por algum tempo. Quero pensar na linha que ele irá seguir de agora em diante, do que pretendo escrever e falar.

Já tenho algumas ideias, mas quero deixá-las mais concretas para que o blog tenha uma cara própria. Isso pode levar dias, meses ou anos. Mas vai acontecer. Eu não consigo ficar quieta por muito tempo.

Agradeço a presença de todos que acompanharam até agora e espero vocês no retorno!

Merci, à bientôt!

Frozen e o conto de fada do século XXI

Desde o século XVII as crianças crescem ouvindo contos de fadas. Nossos pais o fizeram em livros, nós nas antigas fitas cassete e nossos filhos em dvd e blu-ray. A impressão que passa é que essas histórias são atemporais e eternas, pois tratam de temas universais. Tornaram-se verdadeiros mitos modernos, na definição de Roland Barthes, para quem o mito é o esvaziamento moral, cultural, social e estético de certo objeto ou evento, a fim de torná-lo “neutro” ou “natural”.
Diferente do que pensamos, o conto de fada possui uma ideologia, e maioria dos contos que crescemos ouvindo traz essencialmente uma moral aristocrática e burguesa. Eles só foram mitificados ideologicamente, tirados de sua história e despolitizados para representar interesses de classes dominantes. No caso aqui vou focar no papel servil da mulher, sempre apresentada nessas histórias como uma princesa indefesa e passiva. Tantas histórias no qual a mulher deve apenas esperar pela salvação, que vem em forma de um homem todo poderoso.

No entanto, estamos presenciando recentemente a reescrita de certos contos que já possuem uma moral um pouco mais atualizada com o século XXI. Acredito que tenha começado discretamente com o filme “Enrolados” (Tangled), uma releitura mais moderna de Rapunzel, e atingido uma maior obviedade no maravilhoso “Valente” (Brave). Ambos os filmes trazem heroínas mais independentes, que vão atrás de seus objetivos e distorcem de certa forma a concepção da princesa passiva.


O ápice da mudança desse padrão veio com o filme Frozen. Qual foi a minha surpresa ao ver uma história de princesas, mas sob uma ótica mais psicológica e atualizada.
Eu que amo contos de fadas, psicanálise e feminismo, encontrei nesse desenho um prato cheio para uma análise interessante. Segue alguns pontos que me chamaram a atenção:

1 – O PODER NA MÃO DAS MULHERES
Em Frozen, contamos com duas protagonistas: as irmãs Anna e Elsa. Ambas são princesas do reino de Arandelle, e Elsa, a mais velha, é a próxima na linha de sucessão. Diferente das histórias tradicionais, na qual as princesas só assumem o poder ao se casarem com um príncipe, mesmo já sendo pertencentes à aristocracia, Elsa é coroada rainha já no começo do filme.

2 – FIM DO AMOR ROMÂNTICO
Presença constante nas versões de contos de fadas da Disney: príncipe e princesa se apaixonam após uma mera troca de olhares. Sem se conhecerem, sem trocarem uma palavra, basta olhar um para o outro para saberem que são almas gêmeas.
Em Frozen, esse amor é satirizado. Anna, a princesa mais nova, busca encontrar um amor romântico (talvez tenha crescido ouvindo esses contos de fadas e idealize com eles) e na festa de coroação de sua irmã, acaba se “apaixonando” por Hans, um jovem príncipe, que a pede em casamento no mesmo dia. Ao contar para a irmã mais velha, a reação é: “Você vai se casar com alguém que acabou de conhecer?”. Frase, aliás, repetida várias vezes na história, por diferentes personagens.
O amor que se desenrola, com outro personagem, é o amor da convivência, ao ir se conhecendo aos poucos e construindo coisas em comuns. Mais legal ainda é ver Anna dividida entre dois homens, mas com nenhuma conotação pejorativa, ou seja, não há julgamento de moral por ela estar gostando de dois ao mesmo tempo.

3 – THE SELF-MADE WOMAN
Diferente dos tradicionais contos no qual a princesa é uma personagem quadrada que não evolui, apenas espera a hora em que os eventos se desenrolam a seu favor, Frozen traz como tema central o desenvolvimento pessoal e amadurecimento das personagens.
Elsa possuí poderes mágicos que transforma coisas em gelo, e esse poder tende a se descontrolar em momentos de nervoso e medo. Ao atingir a irmã no começo do filme, seus pais dizem que deve esconder seus poderes para não machucar ninguém. Em termos psicanalíticos, podemos pensar nos poderes de Elsa como seus medos e traumas inconscientes e que ela busca recalcá-los ao invés de entendê-los e aprender a conviver com eles. A sua busca durante a história é ou recalcando, ou extravasando, mas sempre se isolando do mundo pois não consegue lidar com ambos ao mesmo tempo.


Elsa finalmente livre para descobrir seus poderes, mais isolada do mundo (e Idina Menzel quebrando tudo na música vencedora do Oscar)

Anna também possui uma cruzada pessoal: atingida no coração pelo poder da irmã, ela deve encontrar um ato de amor verdadeiro para não ser congelada para sempre. Criada no imaginário romântico, acredita que um beijo de amor verdadeiro poderá salvá-la. Mais tarde irá descobrir que o ato deve partir de si e não de alguém, ela deve ser a sua própria salvadora, e não esperar a salvação de fora.

4 – O VILÃO INTERNO
Frozen não tem grandes vilões, responsáveis pelo nó da trama. Nada de bruxas más, madrastas ou monstros. O clímax da história é o confronto de Elsa e Anna, e delas com elas mesmas.
A história conta com antagonistas, que servem como empecilhos, mas não são responsáveis pelos grandes problemas a serem resolvidos.
Elsa, para lidar com seus poderes, é orientada a “não sentir”, ou seja, recalcar suas emoções profundas. O vilão da história habita dentro da própria heroína.

5 – A REDENÇÃO PESSOAL E O OUTRO
Anna completa sua maldição e termina congelada, mas antes disso tenta salvar a irmã de ser assassinada. Seu ato de amor verdadeiro acaba se concretizando. Esse ato parte de si para o outro, e ela é a própria responsável por sua salvação.
Diante desse ato, Elsa compreende que só estando próxima do amor da irmã, é que pode viver em paz consigo e com seus poderes. A convivência com a alteridade faz com que aprenda a controlar seus medos.
Diferentes das histórias tradicionais, na qual a salvação da heroína é realizada pelo elemento externo, o príncipe; em Frozen, a salvação de ambas parte de uma alteridade, mas se resolve no âmbito pessoal. È convivendo com o outro que elas aprendem a conviver consigo mesmas, sem depender de ninguém.

O mais bonito de Frozen é a construção de personagens aprendendo a lidar consigo mesmas e com o mundo. São duas meninas que aprendem com o amor de uma para a outra, sem a dependência do idealizado amor romântico e da salvação masculina, um verdadeiro avanço no que diz respeito à representação feminina nos contos de fadas.
Frozen não traz apenas uma visão mais atualizada do amor e da figura feminina, é um belíssimo filme sobre auto-conhecimento, um conto de fada psicológico e sensível ao século XXI.

Bravo!

Minha vez de tentar falar umas palavras bonitas pra gente mais bonita ainda.
Não sei quando foi que eu decidi que dançar era o que eu devia fazer pelo resto da vida. Acho que por que eu nunca decidi isso. Um dia me perguntaram “por que você dança?” e eu respondi “porque eu sempre dancei”. A dança me definiu como pessoa, definiu meu gosto musical, minha segunda língua estrangeira, meu jeito de andar….Camila é bailarina, e ponto.
Todo mundo pensa no ballet como uma arte aristocrática, e em sua origem ele é. Pensa no ballet romântico, na bailarina etérea, nas pontinhas leves e delicadas. Quem vive o ballet sabe que não é assim, sabe que em sala de aula estamos mais pra treinamento de guerra do que pra escola de princesas. Sabe das dores, das pressões internas e externas. Isso vem na técnica do ballet, e isso fica em sala de aula, porque no palco devemos ser leves.

“Só a bailarina que não tem…”

Para além disso, quem decide (ou quem a dança adotou como filho, mesmo que a gente não tenha decidido nada) viver de ballet ainda tem mais pressões para lidar. Tem que correr atrás de empregos escassos, lidar com a informalidade do meio, viver de bicos, de salários baixos, de oportunidades vazias e de instabilidade. Viver de arte é díficil, todo mundo diz.
E apesar das dores, apesar do dinheiro curto, apesar de todos apesares que seria viver de ballet…eu fui. Eu chorei, pensei em desistir mil vezes, pensei com medo…porque eu não queria desistir. Eu não poderia fazer outra coisa, mesmo porque eu acho que não sei fazer outra coisa.
Mas cada lágrima que eu derramava por causa de um salário que não era pago no fim do mês, vinha um abraço de uma aluna de 3 anos. Para cada medo de não ter como pagar as contas, vinha uma menina que estava parada há 10 anos e criou coragem de subir no palco de novo. E eu encontrava motivação pra continuar.
“Amor não enche barriga”, me diziam, “ninguém leva arte a sério”.


Até que um dia recebi uma mensagem no face, de uma das bailarinas mais lindas que já vi dançar. Eu a admirava desde que fazíamos aulas juntas e eu acabava de entrar na faculdade, perdida em São Paulo, sem saber do que seria da minha vida de bailarina. Quando tudo e todos me mandavam desistir da dança, ela, sem saber, era meu exemplo de força e delicadeza dançando, mais que isso, era meu exemplo de mulher: decidida, independente, bailarina acima de tudo. Eu olhava para ela como quem olha para uma irmã mais velha e pensa “quando crescer quero ser que nem a Thaís”.
E essa mesma Thaís me disse que abria uma escola de ballet, e queria que eu desse aulas lá. No começo já via que era diferente, gente, até parece emprego de verdade. Nas primeiras reuniões, seriedade, mas muito amor, “aqui não vai ser escolinha de ballet”, foi o que ela e as outras diretoras, Ana e Anna, me disseram. Foi a frase mais linda que eu ouvi.
A Bravo! Ballet nasceu grande. Nasceu com salas cheias já na primeira semana. Nasceu com nomes como dona Neyde Rossi e Mariângela D’Andrea, bailarinas renomadas. E eu, perdida lá no meio, decidi que tinha que merecer por estar lá. Tentei absorver o máximo desses mestres, fiz tantas aulas, voltei pra Royal, grudei naquela que virou não só minha mentora mas minha amiga Denise Nardi, aprendi e ensinei.
Essa semana foi nosso primeiro espetáculo. Foi nosso primeiro fruto de menos de um ano de trabalho. E eu conquistei mais uma alegria que a dança me deu: eu dancei, feliz e realizada com meu trabalho de bailarina, eu assisti minhas alunas pisarem no palco pela primeira vez na vida, ou pela primeira vez depois de anos longe. Eu finalmente fechei a caixinha que estava aberta desde meus 18 anos e que dizia “ninguém leva a arte a sério”.


Que a Bravo! continue crescendo. Que sejamos esse oásis no meio da secura da arte em São Paulo. Que eu consiga ser uma professora no nível dessa escola que já é sucesso porque está sobre uma base de respeito à dança e ao seu ensino.
Às minhas diretoras Thaís, Anna Rita e Ana Yazle, um obrigado do tamanho do meu amor pela dança. Aos meu colegas professores, meu respeito e admiração eternos. E aos meus queridos alunos, que a dança continue fazendo parte de quem vocês são, como faz parte de quem eu sou.

Top 10 Termos de Pesquisa do Google

Ontem resolvi dar uma olhada nos termos de pesquisa que fazem as pessoas virem parar aqui no blog. Encontrei muita coisa relacionada à ballet, casamento e viagens, que foram alguns temas principais aqui. Mas também encontrei muita coisa inusitada, então segue o top 10 dos termos de pesquisa do google no Pliés e Letrinhas:

10 – Vestido para dançar forró
Juro que não faço ideia de como você relacionou esse blog com isso.

9 – Amestedam como falar com os franceses la
Fale em francês.

8 – Roupas adquadas opra ir ao forro
Sério, vocês insistem…vou fazer um post especial pra isso.

7 – Quis são os passos do plié quero plié
Nasce um movimento: Pliés já!

6 – Loja que vende plié na vinte e cinco de março
O sonho de toda bailarina.

5 –  Conprei um vestido longo florido e agora nao sei que causado usar?
Use um dicionário primeiro.

4 – loja mercadão infantil roupas,vestidos e saias para adolescente de 13 anos de 100 rreais para comprar
Se achar qual é, avisa as amigas!

3 – Apartamento hippie tumblr
Nicho de mercado: imobiliária bicho-grilo

2 – onde esta a outra parte do vestido rs
ó dúvida rsrs

1 – feira peixes muçulmanas
No idea what you are doing here

Elogio à gordura

 

Assunto polêmico, delicado e provavelmente serei apedrejada com barras de suflair, mas ok.
Que a nossa sociedade valoriza a magreza, não é novidade. Que há uma exaltação do físico magro, da Gisele Bündchen, do abdome-tanquinho, todo mundo sabe. Mas recentemente percebo, principalmente entre a galera meio-intelectual meio-de-esquerda, um movimento contrário, percebo um elogio à gordura.
E pipocam com manteiga na minha timeline textos de meio intelectuais meio mozzarella exaltando a barriguinha de chope, a celulite, a mulher com sobrinhas no biquíni. Todo mundo exaltando os quilos a mais, a cerveja no final e durante a semana, o “verdadeiro corpo brasileiro”.
E posso dizer que eu agora comecei a me sentir oprimida?
Sempre fui magra. Tive várias fases de magreza: a de ruim (quando era criança comia até o reboco da parede e não engordava), a de anoréxica (na adolescência, por motivos tão diversos, cismei que não deveria comer pra não engordar) e a de agora que tenho um corpo de mulher me encho de neura mas não estou acima do peso. De qualquer forma, conheço a relação complicada que tenho com meu corpo, sei que mesmo não sendo gorda sou vítima da ditadura da magreza que nossa sociedade impõe, mas ainda assim não vou exaltar a gordura.
Por quê? Porque eu acho que exaltar o ser gordo é tão ruim quanto exaltar o ser magro.


Assim como magreza excessiva é doença, gordura também é; e, por favor, isso não é novidade. Não adianta ficar exaltando a barriga de chopp quando sabemos que gordura acarreta em mil problemas de saúde e pode sim te matar.
Outra que o movimento vem caminhando numa direção que estão crucificando aqueles que decidem emagrecer ou cuidar do seu corpo. Sim, da mesma forma que crucificaram os que não querem emagrecer, o movimento está partindo na direção contrária!
Já ouvi mil coisas na vida de magra: “ah você é magra mas duvido que é feliz”, “o que adianta esse corpão se não pode comer?”, “homem gosta é de lugar pra pegar”, “homem gosta de barriguinha pra aconchegar e não de tábua de passar”. Sério, pode parecer #classemagrasofre, mas é tão opressor quanto mandar uma menina fechar a boca porque tá gorda.

Percebo também uma distorção do argumento “se amar como você é”, como se isso quisesse dizer “faz o que tu queres pois é tudo da lei”. Já vi gente dizendo que ama ser gordo, que está se aceitando como é e usando isso como desculpa para comer fritura e doce todo dia.  Acontece que isso é exatamente o mesmo argumento que um anoréxico usa: que se ama e que vai se cuidar e por isso não vai comer nada. Se amar é cuidar do seu corpo com carinho e ver como ele responde com saúde: mantendo o peso, ou emagrecendo, ou deixando uma gordurinha aqui ou ali.

O que acho que falta é respeito e o que tem que acabar é o julgamento do corpo do outro. É isso que traz sofrimento, o olhar externo de alguém que te avalia, que te condena e que te oprime por ser quem você é.
Você tem que se amar e isso é o que eu mais desejo pra toda e qualquer pessoa: a realização de se olhar no espelho e gostar do que vê. Seja gordo, magro ou aquele corpo que é metade um e metade outro. Não vale a pena ser magro a custas de sofrimento, de odiar sua imagem, de passar fome e se privar da vida. Não vale a pena ser gordo e viver na cama, ter que tomar mil remédios ou não conseguir fazer as coisas que você gosta.

Cuidar do corpo também não é viver na neura (e eu preciso aprender disso). É fazer escolhas saudáveis, de alimentação, de estilo de vida. Não é contar calorias, mas é querer que seu coração funcione adequadamente e seus órgãos tenham energia e limpeza para funcionar do jeito que deveriam.
Uma amiga linda me escreveu isso um dia e eu copiei em vários lugares pra levar pra vida:

“Nosso corpo sempre vai responder com disposição e leveza se estivermos conscientes do que estamos colocando pra dentro (…) A gente come não para moldar o corpo físico externo, mas para harmonizar nossas energias físicas, e fazer o melhor com a nossa própria existência, e o processo é muito mais importante e valioso do que qualquer resultado.”

 

Reeducação alimentar

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Quem acompanha o blog desde o começo sabe que lá no começo do ano eu resolvi fazer uma dieta bem surtada. Eu basicamente cortei drasticamente TUDO do meu cardápio, troquei por lanches naturais ou shake dietético, e achei que assim ia acordar linda-leve-loira.

É óbvio que não deu certo, deve ter durado 1 mês, porque depois disso eu tinha nojo de olhar pro tal do shake e mal parava em pé. Emagreci, claro, mas ganhei tudo de volta.

No último mês meu corpo andou me perturbando muito. Eu andava com uma barriguinha que não me pertencia, cansada, comendo muito mal (só miojo, coca-cola e lanches prontos). Lembrando que no final do ano tem espetáculo da escola, e que eu vou dançar nada menos do que a barriguinha de fora, decidi criar vergonha na cara e me cuidar.

Seguindo conselhos de amigas nutricionistas que me conhecem, mais a linda-bendita-santa Internet, elaborei uma dieta muito linda e que vem dando super certo.
Mais que uma dieta, é uma reeducação alimentar.

O QUE PODE COMER?
TUDO!
Não é lindo? Quer dizer, nem tudo. Estão proibidos TERMINANTEMENTE álcool, açúcar (dei uma quebradinha nessa regra esses dias com a degustação dos docinhos do casório) e farinhas brancas.
O resto pode, porque o segredo da reeducação alimentar não é a privação, mas a moderação.
Saber preparar os alimentos é importante também. Tudo deve ser assado ou cozido. Fritura são bem raras, mas muito mesmo, e só em azeite. Quanto menos sal e temperos industrializados, melhor.
Isso quer dizer, que você tem que balancear seu cardápio com proteínas + carboidratos + gorduras boas (sim, gordura é super necessário pro funcionamento adequado do corpo).

MAS COMO FAS?
Eu faço assim:
– Café da manhã: 250 ml de chá de canela, cravo e gengibre (acelera o metabolismo e queima gordurinhas) ou suco natural de fruta (de preferência melão ou abacaxi) + 2 torradas integrais lights com geleia diet Queensberry ou 1 fatia de queijo branco
– Lanche da manhã 1: 5 cookies integral Jasmim + 1 Yakult (ajudando a flora intestinal a trabalhar!)
– Lanche da manhã 2: 1 iogurte Nestlé grego light ou 1 fatia de queijo branco + 250 ml de chá verde
– Almoço: Frango ou peixe (mil jeitos diferentes de preparar, aos poucos vou colocando aqui) + porção pequena de carboidratos (arroz integral, batata-doce, batata, macarrão integral)
– Lanche da tarde: barrinha de cereal ou 1 fatia de queijo branco + 250 ml de chá verde
– Jantar: Salada frutas ou cereal Nesfit + iogurte desnatado ou Vigor grego light
– Ceita: 250 ml de chá verde batido com alguma fruta (abacaxi é o que fica mais gostoso)

* Esse cardápio é uma base do que eu uso! Ele está em constante modificação. O importante, para mim, é respeitar as categorias de cada alimentação e nunca deixar o cardápio passar de 1500 calorias.
* Eu tenho dois lanches da manhã porque tomo café muito cedo e almoço muito tarde, então faço um lanche a cada 3 horas.

DÁ TRABALHO?
MUITO!
Estou na segunda semana e parece que faz uma vida que estou fazendo isso. Toda noite tenho que pensar em cada refeição do dia seguinte e fazer a contagem de calorias para ver como vai ser o cardápio.
Também passo mais tempo cozinhando (estou dizendo que comecei em dieta e acabei chef de cozinha) e gastando dinheiro no supermercado. Então, tem que ter paciência e dedicação.

RESULTADO?
Minha balança diz que eu emagreci 2 kg em 2 semanas (eu não confio em balanças). Perto de outras dietas é pouco, mas pelo menos não estou passando fome ou ficando fraca.
A barriguinha também deu uma diminuída.

VAI FUNCIONAR COMIGO?
Aí já não sei.
Tem muita gente criticando o que eu faço. Dizendo que “onde já se viu, dieta que pode comer batata!” ou “dieta que não passa fome não é dieta”, mas comigo está funcionando. Pela primeira vez na vida, não estou passando mal ou sentindo fraqueza por causa de regime.
Eu tenho uma rotina extremamente ativa. Faço aula de ballet quase todos os dias e dou muitas aulas também, meu trabalho não é sentado, pelo contrário, é em constante movimento. Logo eu preciso de energia pro meu dia-a-dia. Se eu fizesse uma dessas dietas malucas que corta carboidratos, eu morreria em 3 dias. Mesmo porque, convenhamos, eu nem tenho tanta gordura acumulada assim pra usar, né?

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Eu realmente quero estar com uma barriguinha linda pro espetáculo, mas a reeducação está sendo tão gostosa que vou levar isso pra vida. Mesmo que eu não emagreça, está sendo muito bom aprender a comer certo. Estou tendo mais disposição e me sentindo mais leve e melhor com o meu corpo. Vale a pena tentar!

“Existo logo existo” ou Ensaio despretensioso sobre o Corpo

(Isso é um post de blog sem qualquer pretensão de ser um artigo científico. Carece de fontes, revisão, coerência, coesão e vergonha na cara para escrever algo decente)

Algum dia, imagino que no Iluminismo, alguém (pode ter sido Descartes, é bem o tipo de coisa que ele teria curtido) decidiu que corpo e mente eram duas coisas separadas. “Cogito ergo sun”, o pensamento como posicionante do sujeito no mundo. A partir disso, veio muita gente em seguida que embarcou na ideia de que corpo é uma coisa, mente é outra e a gente tem que trabalhar a interação dos dois (como se já não interagissem antes).

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“Penso logo faço a recalcada na foto”

Desde sempre eu acho isso um absurdo sem tamanho. Nunca entendi essa coisa de falar “o seu corpo” como se eu fosse uma identidade a parte (“um espirito que anda como as cabeças que voam”, nas palavras de uma professora francesa da faculdade) e meu corpo algo que não me pertencesse. Eu sou o meu corpo, certo? Não sou nada além disso. Não vamos cair aqui em questões metafísicas de alma, vida após a morte e blá. Pense em você: músculos, ossos, órgãos e, por meio de sinapses muito doidas,a consciência de que você é tudo isso. Tudo isso JUNTO.

Imagino que os psicanalistas possam explicar bem melhor isso: mas nós nos formamos, como pessoa, a partir do nosso corpo. Não é claro? Começamos a entender o mundo e a nós mesmos conforme tocamos, comemos, cheiramos e nos movemos. Não acordamos um dia num despertar de consciência de tudo, pelo contrário, aprendemos pelas nossas experiências corporais.

Acontece que por causa do Descartes e dos amigos dele, o corpo foi subjugado, a mente colocada em primeiro plano, como a responsável por tudo. Podem pensar: quais são as profissões mais valorizadas? Aquelas que exigem aptidões mentais e não físicas. Quando consideramos alguém inteligente? Quando ele é capaz de alcançar certos esquemas mentais. Corpo virou sinônimo de brutalidade, rudeza.

Séculos depois do Iluminismo ainda temos essa divisão corpo x mente. Trabalhos em cubículos, confinados na cadeira, em frente a uma tela plana que exige no máximo uma coordenação das pontas dos dedos. Sentamos e dirigimos em carros usando as pontas dos pés. Porque o importante é trabalhar a mente, quando buscamos trabalhar o corpo é para “exercitar”, “mantê-lo bonito e em forma”, como se o seu corpo não fosse você, fosse um adereço decorativo.

Não conhecemos nossas possibilidades corporais. Quantos alunos meus chegam na sala de ballet e se espantam com sua flexibilidade, não imaginam que conseguem puxar a perna na orelha ou saltar tão alto. Não sabemos onde nossas articulações dobram, onde travam, quão rápido corremos…
Se não conhecemos nosso corpo, conhecemos a quem? O que nós temos além de nós mesmos? (de novo, deixem as reflexões metafísicas).

Grupo Corpo – “O Corpo”

Seu corpo não é um objeto de decoração, que você tem que deixar bonito para o verão. Seu corpo é você. As suas possibilidade de movimentação te definem como sujeito e te posicionam no mundo. Conhecer como sua musculatura funciona, o que dói, como e por quê, conhecer-se internamente, te garante um conhecimento profundo que, sim, chega à esfera da “mente” (já que gostam tanto de chamar assim). Psicanalistas, me ajudem aqui de novo, mas nossa consciência e o inconsciente, são nossas experiências físicas, certo? Ou o que temos além disso, além do que nós mesmos vivemos e presenciamos?

“O homem se insere no universo e atua como síntese desse universo de tal maneira que, ao me conhecer e conhecer a humanidade, estou desvendando o próprio universo” (Klauss Vianna em “A Dança”)

O que me motivou a escrever: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/65574-estamos-criando-analfabetos-motores.shtml