Carta para Aurora – 8 Meses

Pisquei. Sentou sozinha. Pisquei. Engantinhou. Pisquei. Um dente. Fui checar o primeiro, apareceu o segundo.
Faz tchau. Protesta quando não gosta. Ri quando gosta. Faz gracinha. Esconde o rosto de vergonha. Chora quando saio de perto.
Apóia cambaleante na minha perna, levanta um joelho, puxa a capa do sofá, firma o pé no chão, empina o bumbum, faz força pra cima, gravidade é mais forte, volta pro chão.
Tentando ficar em pé, buscando a vertical. Vou te pegar quando chora no quarto e tá lá sentada, bracinhos pra cima, me esperando. Virou outro bebê, bebê verticalizado, parece mais gente do que antes. O coração aperta. Tá crescendo, tá muito rápido.
É preciso deixar fluir. É preciso deixar subir, deixar sentir, o chão, a queda, a ausência, a frustração. Nascem lágrimas novas, de quem já tá vendo que a vida nem sempre é do jeito que a gente quer.
Dói. A sua cabecinha quando bate no chão duro, o meu coração ao ver o passinho vacilante e o corpinho que não quer mais ficar parado.

Deviam ter me avisado que quanto mais você cresce, mais apertadinho meu coração fica.

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