Não me chame de forte ou corajosa

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Me sinto meio incomodada cada vez que alguém diz que eu fui forte, ou corajosa, por ter tido um parto natural. Sinto isso porque parece que me colocam em uma categoria a parte de mulheres, aquelas que pariram, e que isso só foi possível graças a uma qualidade individual minha (ser forte, ou ser corajosa).
Eu não fui mais forte ou corajosa do que qualquer outra mulher. Eu só fui bem informada e bem apoiada. A força e a coragem já estavam aqui, eu só precisei de informação suficiente para resgatá-las e de apoio suficiente para acreditar nelas.
Eu queria deixar claro para outras mulheres que parir é muito mais fácil do que fizeram a gente acreditar. Que não é preciso ser alguém muito especial para isso. É da nossa natureza, é do que somos feitas. É simples, orgânico, fisiológico.
Imprevistos acontecem, emergências também, graças a Deus temos a medicina e suas intervenções para lidar com essas casos. Mas a maioria, a grande maioria das mulheres, é capaz de parir sem ajuda. E foi isso que tiraram de nós e nos fizeram acreditar: que nosso corpo é defeituoso, falho ou incapaz, que o parto é algo para poucas escolhidas.
E por quê? Por que qual seria o interesse desse sistema machista e patriarcal em ter mulheres que soubessem quão forte é o corpo delas? E se todas mulheres percebessem que ninguém nasce sem a gente (que coisa né, tão óbvio)? Não é interessante para o sistema que a gente passe a acreditar em nós mesmas, é muito conveniente que a gente ache que quem salva é o médico, que somos espectadoras de um processo que é inteiramente nosso.
Aliás, também nos fazem ver que a intervenção é porque nosso corpo falhou (você não tem dilatação, sua bacia é muito estreita) e não porque imprevistos acontecem. Precisar de intervenção, quando essa é realmente necessaria, não faz ninguém mais ou menos incopetente.
Eu me senti orgulhosa do parto que tive e proporcionei para minha filha. Não porque me acho a mulher mais forte e corajosa que já existiu, mas por ter conseguido desafiar um sistema que coloca as mulheres como seres frágeis e incapazes. Nós criamos a vida, nós conseguimos colocá-la no mundo.
Então, meninas, moças e mulheres, se informem! Aprendam quais são as etapas do trabalho de parto, quais são as reais indicações de intervenção (ocitocina, cesárea, etc), para não cair na conversa de médico fofinho que só quer te cortar para ganhar o feriado (médico é gente, e gente pode ser bem perversa e interesseira). E procurem uma equipe e um acompanhante que te apóie. Não crie expectativas para o seu parto.

Somos todas fortes e corajosas só por sermos mulheres.

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