Relato de parto – Nascimento da Aurora (Parte 01)

PRÓDROMOS E FASE LATENTE

40 semanas e sabe se lá quantos dias. Minha data provável de parto sempre foi incerta. Mas enfim, seja ela qual for, passou DPP, passou Maior-Super-Lua-De-Todos-os-Séculos, e nada. Nem uma contração. Umas cóliquinhas vez ou outra, no máximo.
Ansiedade tomando conta. Todas as amigas com a mesma DPP já pariram, menos eu. Quando desabafo, me mandam ficar calma, o nervoso atrapalha a ocitocina. Isso só me deixa mais nervosa ainda.
A barriga está alta (Betina, minha obstetra, diz que não quer dizer nada), o tampão não saiu (também não quer dizer nada), bebê tá se mexendo muito (ótimo sinal! Mas não quer dizer nada quanto ao trabalho de parto) tô sem dilatação (vou ter que repetir de novo, Camila?). Mas vamos fazer um descolamento de membranas, pronto, agora é esperar.
No mesmo dia resolvi fazer tudo que dissseram que dava certo: sessão de acupuntura, tomar chá de canela, subir escada, rebolar na bola de pilates, caminhar, beber uma taça de vinho, me despedir da barriga. Vou dormir pensando “é hoje! De hoje não passa!”.

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18/11 – Despedida da barriga

Acordo todo dia decepcionada. Mais uma noite e nada acontece.
Agora sim, 41 semanas e 2 dias, ou algo por aí. Segunda-feira, 21/11. Vamos descolar a bolsa de novo. E se não der certo? Aí iremos induzir. Medo. Quis chorar. Vi meus planos de parto domiciliar irem por água abaixo. A última coisa que queria era parar no hospital.
Segundo a Betina, o colo do útero está começando a dar sinal de que está trabalhando. Ainda diz que acha que vou continuar assim e quando o trabalho de parto começar, vai deslanchar.
Mas eu não sinto nada, só as coliquinhas.
Ela decide fazer acupuntura em mim. Diz que a dela funciona melhor. Espeta uma agulha na barriga e AI CARAMBA O QUE É ISSO?
Ela sorri. Tá doendo? Pra cacete. Barriga tá dura? Muito! Taí uma contração.
A minha primeira. Dói mesmo, mas dói feliz. Murilo, que era cético em acupuntura, passou a acreditar. Tipo São Tomé.
Saio da consulta e ela me diz que se não nascer até quarta vamos nos falando. Pergunto se preciso deixar marcado o retorno e ela me olha com certeza e diz que não vai precisar.
Vou dormir com cóliquinhas, o tampão começa a sair e mais um dia de esperança: de hoje não passa!

Acordo terça-feira. Passou. Não foi hoje.
Mando mensagem para Betina e ela diz para eu ficar calma e tomar um shake de óleo de ricino para ajudar. Tomo meio cética, na minha cabeça essa criança não vai nascer nunca, vai ter que induzir, ou cortar. Desanimada. Nos grupos de gestantes-índias-parideiras me dizem que parto é conexão. Decido me conectar então. Desligo o celular, ligo a playlist do parto, desço e subo os 10 andares de escada do prédio, entro no banho e converso com Aurora. Repito mil vezes “eu sei parir e minha filha sabe nascer”.
O tal do shake faz efeito: uma diarreia do capeta. Tenho uma cardiotocografia marcada e vou morrendo de medo por causa da dor de barriga infernal.No exame, a médica me diz que estou com contrações sem ritmo. Eu não sinto nada. Mentira, sinto vontade de ficar sentada na privada eternamente. Que ótimo, além de não sentir contrações, agora ainda vou ficar com esse piriri.

No caminho de volta para casa, mais dor de barriga, e agora junto com dor nas costas e uma dor no ciático que não me deixa colocar o pé no chão. Em casa, mal consigo jantar. Falo pro Murilo que tá doendo e não sei se é contração ou diarreia. Ele acha melhor avisar a nossa doula, Celine, e ela diz para ir observando e que logo passa para me ver, manda eu entrar no banho.

Água quente ajuda, mas a pressão começa a cair. Preciso deitar. Quero dormir, mas a dor não passa. Tenho certeza que não é contração. Primeiro porque a dor é aquela dor de ir no banheiro. Segundo, porque era para ter uma, ter um momento de descanso e depois ter outra. Murilo nem tenta cronometrar porque nem tem como, eu sinto dor o tempo todo.
Só tenho dor-dor-dor, tudo seguido, sem descanso.
Quero dormir, preciso dormir, mas dói.

 

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Um comentário sobre “Relato de parto – Nascimento da Aurora (Parte 01)

  1. affe maria! como eu ainda não tinha visto este relato nascendo Camila? e como ler com os olhos assim, cheios de água?! e que foto maravilhosa é essa?! ❤ ❤ ❤ ❤ emocionada com vocês!

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