Meu útero sabe das coisas

Precisei de 7 meses para começar a entender o que a minha médica e todo mundo dizia: gravidez é perder o controle.
No primeiro trimestre, com o medo dos abortos espontâneos, só ouvia que nada poderia fazer. Que se tivesse que ser, seria. E ouvia repetidamente: “desencana, gravidez é isso, perder o controle”.
Antes encarava isso de uma maneira negativa. Quase como se uma fatalidade iminente pudesse me assolar a qualquer momento e eu só pudesse acompanhar, passiva, o desfecho.
Mas só hoje, no terceiro trimestre, que comecei a perceber que isso não é algo negativo. Pelo contrário, isso mostra a força interna que tenho em mim.
Durante esses 7 meses meu útero, meu sistema endócrino e todo o resto do meu corpo se orquestraram para manter essa vida crescendo dentro de mim. Ao meu lado racional e voluntário coube cuidar da alimentação e da saúde, ou seja, não colocar problemas em um sistema que já foi programado para funcionar.
Sem que eu me desse conta ou me esforçasse voluntariamente, tudo dentro de mim se ajeitou perfeitamente bem. Nutrindo, protegendo e ajudando o pequeno embrião que se instalara. E percebi então que isso é perder o controle: é deixar a natureza fazer aquilo que ela sabe.
Seria muito ingênua de achar que é sempre assim, e não existem problemas. Se a intervenção fosse necessária, ela aconteceria. Mas até então meu corpo está mandando muito bem nessa história de gestação. Meu útero sabe das coisas.
Ele criou um meio perfeito para essa pessoa crescer aqui e se desenvolver, e é ele quem me deu a melhor lição para eu me preparar para o parto. Sem nunca ter feito isso antes, soube crescer uma vida. Não será capaz então de colocar essa vida no mundo, sem qualquer intervenção também?
Hoje realizei, orgulhosa, o poder do meu útero, do meu corpo. Ele já fez tanto!
Tenho uma força interna que não sabia que existia e começo a acreditar cada vez mais nela. Meu corpo está sendo maravilhoso na criação de uma vida e tem tudo para ser maravilhoso na hora do parto.
Penso em como minha filha confia, sem saber, nesse meu poder. Talvez eu deva aprender com ela que, desde o primeiro segundo de sua vida embrionária, acreditou em mim e na minha capacidade de gestar. Aurora sabe que não tem controle, então simplesmente confia. Eu devo fazer o mesmo.
E penso nisso para afastar o medo de um parto natural: minha filha confia plenamente na minha capacidade de parir. Aliás, ela nem sonha com outra hipótese que não seja nascer naturalmente. Ela que se posiciona naturalmente na saída, que se acalma nas contrações de treinamento, ela que sabe que vamos nascer assim, porque não há outro jeito.
Obrigada por confiar em mim a cada dia, filha. Desde o começo vc teve mais fé no meu corpo do que eu mesma.
E, útero, amigo, você sabe das coisas. Você é foda, cara.

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