Dancers need rest

A revista inglesa Dance UK lançou recentemente uma campanha que chama Dancers Need Rest, (google tradutor: Bailarinos precisam descansar). A campanha visa orientar e alertar os bailarinos sobre os benefícios de uma rotina que inclua períodos de descanso e os perigos do sobretreino.

 


Eu achei a campanha fantástica mas muito preocupante. Essa revista é conhecida por seus artigos voltados à saúde e melhoras na performance de dançarinos, mas fazer uma campanha para que eles descansem é sinal de que alguma coisa está errada. E quem vive no meio da dança sabe disso.

Enquanto atletas de alta performance realizam treinos orientados por educadores físicos e montados com períodos de treinamento forte e descansos alternados, bailarinos de grande companhias se desgastam em rotinas de mais de 8 horas diárias de aulas e ensaios.

É muito comum que bailarinos se aposentem antes dos 40 anos, muitas vezes lesionados ou então porque não conseguem mais dar conta do ritmo de ensaios de uma companhia profissional de dança. Esses bailarinos continuam dançando, e muito bem, o que prova que o que eles precisavam era apenas de uma rotina mais flexível para que seus físicos pudessem dar conta da performance.

Mas por que isso ocorre? Por que bailarinos não recebem orientações como atletas de alta performance, que afinal é o que eles são?
Em partes por causa do medo que a comunidade da dança tem de ver sua arte associada ao meio esportivo. Ballet clássico é arte, mas com treinamento esportivo. A técnica atual do ballet é extremamente exigente e o medo dos bailarinos é que a arte acabe se tornando ginástica ao se associar ao treinamento físico. Devo admitir que eu faço parte desses que temem que um dia nós, professores e bailarinos, tenhamos que responder ao Conselho Regional de Educação Física.

No entanto, entendo que o conhecimento de profissionais de educação física só vem a somar com a nossa formação artística. Não seria deixar o aspecto artístico de lado, mas trabalhar em conjunto. Unir a formação de um diretor, coreógrafo e professor de dança com o conhecimento de um educador físico só traria benefícios e um melhor rendimento e aproveitamento dos talentos de um bailarino.

Por muitos anos o ballet clássico glamourizou o sofrimento, mas sabemos que bailarino machucado e cansado, não dança.

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