“Existo logo existo” ou Ensaio despretensioso sobre o Corpo

(Isso é um post de blog sem qualquer pretensão de ser um artigo científico. Carece de fontes, revisão, coerência, coesão e vergonha na cara para escrever algo decente)

Algum dia, imagino que no Iluminismo, alguém (pode ter sido Descartes, é bem o tipo de coisa que ele teria curtido) decidiu que corpo e mente eram duas coisas separadas. “Cogito ergo sun”, o pensamento como posicionante do sujeito no mundo. A partir disso, veio muita gente em seguida que embarcou na ideia de que corpo é uma coisa, mente é outra e a gente tem que trabalhar a interação dos dois (como se já não interagissem antes).

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“Penso logo faço a recalcada na foto”

Desde sempre eu acho isso um absurdo sem tamanho. Nunca entendi essa coisa de falar “o seu corpo” como se eu fosse uma identidade a parte (“um espirito que anda como as cabeças que voam”, nas palavras de uma professora francesa da faculdade) e meu corpo algo que não me pertencesse. Eu sou o meu corpo, certo? Não sou nada além disso. Não vamos cair aqui em questões metafísicas de alma, vida após a morte e blá. Pense em você: músculos, ossos, órgãos e, por meio de sinapses muito doidas,a consciência de que você é tudo isso. Tudo isso JUNTO.

Imagino que os psicanalistas possam explicar bem melhor isso: mas nós nos formamos, como pessoa, a partir do nosso corpo. Não é claro? Começamos a entender o mundo e a nós mesmos conforme tocamos, comemos, cheiramos e nos movemos. Não acordamos um dia num despertar de consciência de tudo, pelo contrário, aprendemos pelas nossas experiências corporais.

Acontece que por causa do Descartes e dos amigos dele, o corpo foi subjugado, a mente colocada em primeiro plano, como a responsável por tudo. Podem pensar: quais são as profissões mais valorizadas? Aquelas que exigem aptidões mentais e não físicas. Quando consideramos alguém inteligente? Quando ele é capaz de alcançar certos esquemas mentais. Corpo virou sinônimo de brutalidade, rudeza.

Séculos depois do Iluminismo ainda temos essa divisão corpo x mente. Trabalhos em cubículos, confinados na cadeira, em frente a uma tela plana que exige no máximo uma coordenação das pontas dos dedos. Sentamos e dirigimos em carros usando as pontas dos pés. Porque o importante é trabalhar a mente, quando buscamos trabalhar o corpo é para “exercitar”, “mantê-lo bonito e em forma”, como se o seu corpo não fosse você, fosse um adereço decorativo.

Não conhecemos nossas possibilidades corporais. Quantos alunos meus chegam na sala de ballet e se espantam com sua flexibilidade, não imaginam que conseguem puxar a perna na orelha ou saltar tão alto. Não sabemos onde nossas articulações dobram, onde travam, quão rápido corremos…
Se não conhecemos nosso corpo, conhecemos a quem? O que nós temos além de nós mesmos? (de novo, deixem as reflexões metafísicas).

Grupo Corpo – “O Corpo”

Seu corpo não é um objeto de decoração, que você tem que deixar bonito para o verão. Seu corpo é você. As suas possibilidade de movimentação te definem como sujeito e te posicionam no mundo. Conhecer como sua musculatura funciona, o que dói, como e por quê, conhecer-se internamente, te garante um conhecimento profundo que, sim, chega à esfera da “mente” (já que gostam tanto de chamar assim). Psicanalistas, me ajudem aqui de novo, mas nossa consciência e o inconsciente, são nossas experiências físicas, certo? Ou o que temos além disso, além do que nós mesmos vivemos e presenciamos?

“O homem se insere no universo e atua como síntese desse universo de tal maneira que, ao me conhecer e conhecer a humanidade, estou desvendando o próprio universo” (Klauss Vianna em “A Dança”)

O que me motivou a escrever: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/65574-estamos-criando-analfabetos-motores.shtml

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