SEGUNDO TRIMESTRE

Todo mundo já sabe.
“Se você for como eu, vai engordar muito”
“Se você for como eu, não vai engordar”
“Faz parto normal, dói na hora e depois não sente nada”
“Faz cesárea, não dói nada e só sente depois”
“É menino, você tem cara de mãe de menino”
“É menina, Murilo tem cara de pai de menina”
14 semanas e estou esperando a magia acontecer. Já comi todas mexericas, tomates, limões e bolachas de água e sal do mundo. Não era para os enjoos terem passado? E o cansaço acabado? A barriga aparecido? E por que eu tenho que ficar cuspindo o tempo todo feito uma lhama?
Ultrassom morfológico. Parece ser menino. Já tem mão, pé, dedos, nariz. Um coração que bate disparado. Tudo isso aqui dentro e não sinto nada além desse mal-estar constante.
Ainda tenho medo. Mas está tudo bem.
Bolinhas estouram na barriga uma tarde. Penso que são gases. Repete no dia seguinte. Deve ser o bebê.
Acordei um dia e não tinha mais enjoo. Então é assim mesmo que funciona.
Segundo ultrassom. Parece ser menina.
Hora de pensar no parto. A médica me pergunta se já pensei em parto domiciliar ou se quero mesmo no hospital.
Claro que vai ser no hospital, se eu pedir anestesia jurem por Deus que vocês vão dar, não ligo se precisar de ocitocina, quanto mais médico melhor, enfermeira também, e balão de oxigênio, dá um medo que nasça roxo.
Ela me olha tranquila e só diz “Tá certo, começamos em casa e depois a gente vê”.
Fiz o Murilo jurar que se eu pedisse para ir para o hospital e tomar anestesia, todo mundo iria sem me questionar. Ele me olhou com a mesma cara da médica.
Terceiro ultrassom. É menina mesmo. É Aurora, sempre foi, só faltava se materializar.
Visita ao hospital, mas poderia ser visita a um hotel cinco estrelas. Tenho que escolher entre foto, vídeo e transmissão online do parto. Se quero só uma cama ou se quero uma suíte com varanda e máquina da Nespresso. Sei que ganha touca rosa e bordada mas não sei se tem chuveiro de água quente na sala. Vejo os bebês no berçário mamando um peito invisível, longe da mãe.
Saio de lá decidida.
“Vai nascer em casa”
Murilo e a médica trocam olhares cúmplices.

Menos julgamento, mais abraço

Eu ainda não sou mãe “de verdade”. Sou mãe de barriga. Ou estou me tornando mãe.
Mas desde que me descobri grávida venho pesando e pensando em cada atitude e decisão minha. Estudando, lendo, fazendo escolhas. Tudo desejando o melhor para minha bebê.
Tudo sem ter a menor certeza se estou acertando, mas com a melhor das intenções.
E tenho certeza absoluta que você, que é mãe, mãe de verdade, também.
Pode ser que algumas escolhas minhas não sejam iguais às suas. Mas isso deveria nos colocar uma contra a outra? Como eu disse, eu não faço a menor ideia se estou fazendo certo, mas estou tentando. E você também. Por que não podemos simplesmente nos apoiar?
Se você acha que fralda descartável é melhor e mais prática, e eu vou tentar usar fralda de pano, isso não me faz mais santa amiga da natureza do que você, só faz com que tenhamos escolhas diferentes.
A sociedade já nos separa de tantas maneira, fazendo acreditar que toda mulher é uma concorrente e inimiga. Na maternidade deveríamos nos unir ainda mais. Trocar o palpite pelo ombro amigo, o julgamento pelo encorajamento, o “eu avisei” pelo abraço.
Não tenho experiência nenhuma, mas sou uma boa ouvinte. Então se quiser desabafar sobre ter decidido parar de amamentar, sobre não ter tido um parto normal, sobre o dia que levantou a voz para a cria, eu vou te ouvir. E vou me esforçar ao máximo para não te julgar e me enxergar em você, e te dar um abraço e tentar te dizer que tudo bem. Que você é ainda a melhor mãe que seu filho poderia ter.
Vamos olhar juntas para tudo de bom que acontecer para nossos filhos e pensar orgulhosas que foi graças ao aleitamento livre demanda, ao sling ou a renúncia da chupeta que isso deu certo. Assim como vamos ver os momentos ruins e nos culpar pensando que foi porque não fizemos massagem shantala ou demos maçã que não era orgânica.
No fim, eles vão pagar terapia, e nós vamos estar envolvidas nisso. Freud explica. Mesmo com parto na banheira, peito o dia todo, fralda de pano…
Então vamos pelo menos ficar unidas entre a gente? Sem certeza nenhuma, mas com muita vontade de acertar?

PRIMEIRO TRIMESTRE

Temperatura subindo, 14 dias após a ovulação. Eu sabia que tínhamos vacilado. Se amanhã não abaixar, eu faço um teste.
Mais uma temperatura alta, teste comprado. Vou esperar mais um dia. Acordo de madrugada, impossível dormir. Temperatura basal: 37 graus. Ou é febre ou estou virando uma chocadeira.
Xixi no potinho. Uma listra. Dois minutos, parecem 20. Duas listras ou é sono? Duas listras. É isso. Mas pode estar errado, amanhã faço o exame de sangue, não vou preocupar o Murilo com isso.
Claro que não durmo. Laboratório abre às 6, primeira da fila, picada no braço, “boa sorte!”. Resultado só a tarde. Vou dar aula como quem não sabe o que está fazendo.
POSITIVO.
Preciso contar para o Murilo.
Viagem para a Europa que já estava marcada. Tá tudo meio esquisito. “Boa noite, zigotinho”, foi a primeira frase do Murilo como pai.
Achei que era jet lag mas era enjoo matinal. Aliás, o nome enjoo matinal deve ser porque começa de manhã e só termina quando você dorme.
Corpo fraco, cabeça ativa. Tento conversar com o zigotinho no banho, a barriga que afunda para dentro não encoraja, me sinto ridícula. Choro me achando a pior pessoa do mundo. Eu deveria estar feliz.
Vômito, voômito, fraqueza. Olhando para privada, penso: “estar grávida é horrivel”. Choro de culpa.
Decido que vou tentar curtir a gravidez e entro em mil sites.
Sangramento.
Primeiro trimestre, risco de aborto espontâneo. Lembrei de quando pensei que era horrível estar grávida e a culpa aumenta. Se eu perder, vou me sentir ainda pior.
“Você sabe como é díficil manter a primeira gravidez?” , alguém me fala, e eu fico com essa frase ecoando na cabeça.
Vou na médica, ela me abraça e me chama de flor.
“Para a natureza, você é só mais uma fêmea gravida e que vai parir”
“Me preocupo, doutora?”
“Está tudo super normal. Gestação é perder o controle”

Foram 13 semanas que pareciam 30.

Fechado para balanço

Desculpa, mas eu não ia perder a piada

Quero primeiro pedir desculpas pelo sumiço. Não é a vida de casada, ou a correria do dia-a-dia que me fez ausente daqui do blog. Foi simplesmente não saber mais o que escrever.

Esse blog nasceu numa fase turbulenta e maravilhosa da minha vida que foi a preparação do meu casamento. Eu queria só falar disso o dia todo e pensei que meus amigos já estavam de saco cheio, então decidi falar para a internet toda ouvir e quem se interessasse de verdade que se encontrasse aqui. No meio do caminho acabei falando de outras coisas também, de dança, de arte, enfim, do que cercava a minha vida.

Depois do casamento simplesmente não soube mais o que faria eu voltar aqui. Por isso estou decidindo fechar o blog por algum tempo. Quero pensar na linha que ele irá seguir de agora em diante, do que pretendo escrever e falar.

Já tenho algumas ideias, mas quero deixá-las mais concretas para que o blog tenha uma cara própria. Isso pode levar dias, meses ou anos. Mas vai acontecer. Eu não consigo ficar quieta por muito tempo.

Agradeço a presença de todos que acompanharam até agora e espero vocês no retorno!

Merci, à bientôt!

Dancers need rest

A revista inglesa Dance UK lançou recentemente uma campanha que chama Dancers Need Rest, (google tradutor: Bailarinos precisam descansar). A campanha visa orientar e alertar os bailarinos sobre os benefícios de uma rotina que inclua períodos de descanso e os perigos do sobretreino.

 


Eu achei a campanha fantástica mas muito preocupante. Essa revista é conhecida por seus artigos voltados à saúde e melhoras na performance de dançarinos, mas fazer uma campanha para que eles descansem é sinal de que alguma coisa está errada. E quem vive no meio da dança sabe disso.

Enquanto atletas de alta performance realizam treinos orientados por educadores físicos e montados com períodos de treinamento forte e descansos alternados, bailarinos de grande companhias se desgastam em rotinas de mais de 8 horas diárias de aulas e ensaios.

É muito comum que bailarinos se aposentem antes dos 40 anos, muitas vezes lesionados ou então porque não conseguem mais dar conta do ritmo de ensaios de uma companhia profissional de dança. Esses bailarinos continuam dançando, e muito bem, o que prova que o que eles precisavam era apenas de uma rotina mais flexível para que seus físicos pudessem dar conta da performance.

Mas por que isso ocorre? Por que bailarinos não recebem orientações como atletas de alta performance, que afinal é o que eles são?
Em partes por causa do medo que a comunidade da dança tem de ver sua arte associada ao meio esportivo. Ballet clássico é arte, mas com treinamento esportivo. A técnica atual do ballet é extremamente exigente e o medo dos bailarinos é que a arte acabe se tornando ginástica ao se associar ao treinamento físico. Devo admitir que eu faço parte desses que temem que um dia nós, professores e bailarinos, tenhamos que responder ao Conselho Regional de Educação Física.

No entanto, entendo que o conhecimento de profissionais de educação física só vem a somar com a nossa formação artística. Não seria deixar o aspecto artístico de lado, mas trabalhar em conjunto. Unir a formação de um diretor, coreógrafo e professor de dança com o conhecimento de um educador físico só traria benefícios e um melhor rendimento e aproveitamento dos talentos de um bailarino.

Por muitos anos o ballet clássico glamourizou o sofrimento, mas sabemos que bailarino machucado e cansado, não dança.

Casamento – O que fiz e não me arrependo x O que eu fiz e me arrependo

Primeiro, quero deixar aqui nosso trailer que já ficou pronto e eu achei que ficou maravilhoso!! =D

<p><a href=”http://vimeo.com/99381247″>Trailer Murilo e Camila</a> from <a href=”http://vimeo.com/user13112016″>alan pozzolini</a> on <a href=”https://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

Se tem uma coisa que a gente escuta muito depois de fazer um casamento é: “o que você mudaria no dia?”. Olha, eu realmente tive que me esforçar muitas vezes para responder essa pergunta, porque meu casamento foi perfeito pra mim e pro meu noivo marido.  Mas como eu quero ajudar as noivinhas de plantão assim como me ajudaram, super me esforcei pra fazer essa lista.

FIZ E NÃO ME ARREPENDI!

1 – Começar o planejamento com antecedência
Quando começamos a preparar nosso casamento, faltavam praticamente 2 anos. Com 1 ano e meio de antecedência eu já tinha pesquisado preços e fornecedores, e com 1 ano comecei a fechar os contratos. Todo mundo, inclusive os fornecedores, diziam que eu era apressada, mas isso é algo que não me arrependo mesmo! Tive tempo para resolver imprevistos, conseguimos juntar dinheiro suficiente e casamos com TODOS os gastos pagos. Quanto antes, melhor!

2 – Contratar uma cerimonialista
Eu queria alguém que cuidasse da cerimônia para que eu pudesse curtir a festa, e realmente minha cerimonialista fez isso. Mas fez ainda muito mais! Ela organizou os fornecedores, me deu várias dicas que ajudaram a economizar, me ajudou com cronogramas e no dia foi um anjo da guarda cuidando de mim. Se eu tive um casamento tranquilo, devo mais da metade ao trabalho da querida Eliana.

3 – Fugir dos convidados-problemas
Muitas pessoas vão na sua festa de casamento. Muitas querem que seja o dia mais especial da sua vida, outras acham que tem que ser o dia mais especial da vida DELAS. Sim, tem muita gente egoísta que pensa só em si no dia que era para ser tudo a respeito dos noivos.
Não tive problemas grandes, mas ouvi gente me cobrando por não ter tirado foto com ciclano, abraçado beltrano, cumprimentado o fulano, etc. Quando vinha alguém na minha direção com cara de queixa/birra/reclamação eu gentilmente sorria, pedia licença e dava às costas. Aproveitei minha festa ao máximo, dancei muito e fui feliz sem ligar para mimimi alheio.

FIZ E ME ARREPENDI

1 – Preocupação com convidados e auto-convidados antes da festa
Logo que comecei a distribuir os convites começaram a aparecer os “auto-convidados”, aquelas pessoas super sem noção que vem te pedir para ser convidada pro seu casamento. Eu já tinha lido em mil lugares que isso iria acontecer e que era para desencanar e seguir em frente, mas é claro que eu neurótica que sou, não consegui.
Dei muita corda pra gente que veio pedir convite extra, gente que eu não ia chamar e ficou ofendida, enfim, passei mil horas de nervoso mesmo. Fiz a vontade de todos, distribui convites pra todo mundo que pedia e, resultado, a maioria dos auto-convidados NÃO FORAM!
Então, noivinhas, convidem quem vocês querem de coração que esteja lá e, de verdade, desliguem-se do povo sem noção.

2 – Entrada na igreja
Minha entrada na igreja foi toda esbaforida. A equipe da igreja que eu casei ficou cobrando pontualidade (detalhe: eu não atrasei) e acabei saindo do carro correndo, mal tive tempo de respirar na porta ou falar com meu pai e já estava entrando.
Enfim, não foi culpa minha, mas é algo que eu gostaria de ter feito com mais tranquilidade.

3 – Lista de presentes
Fiz lista de presentes em dois sites: Icasei e Magazine Luiza.  Também fiz em uma loja do Ponto Frio da cidade em que casei. Como eu lia em todo lugar que é muito deselegante colocar no convite a lista de presentes, deixei para falar caso algum convidado perguntasse.
O resultado foi que pouca gente perguntou, muita gente comprou o que quis e ganhei mil coisas repetidas. Acho que deveria ter sido mais enfática sobre a lista ou então ter feito apenas em um lugar.

CASEI!

E já faz 1 mês!
Para quem achou que eu tinha morrido de emoção e por isso abandonei o blog, estou de volta! A vida de casada é muito igual corrida, também trabalhei bastante então foi difícil vir aqui postar. Mas finalmente, o post sobre o tão esperado casório!
O que eu posso dizer? Foi tudo perfeito! Nem nos meus sonhos mais lindos tudo ia correr tão bem quanto correu.
Passei a semana do casório nervosa, dormindo mal, resolvendo alguns perrengues de última hora. No dia, eu estava tão tranquila que não me reconhecia. Passei um dia maravilhoso com minhas madrinhas no salão que fiz meu dia da noiva. Dei muita risada, comi bem, relaxei, foi uma delícia!

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Foto oficial por Fábio Gumerato

 Só fui ficar MUITO nervosa quando entrei no carro e cheguei na porta da igreja. Na hora que vi meu pai então, desabei. Apesar de todos ensaios (sim, eu ficava ensaiando na sala de casa a entrada), chorei muuuuuito quando entrei. Foi a única coisa que eu fiquei mais chateada, queria ter entrado toda linda-loira-japonesa divando no sorriso, mas fui manteiga derretida mesmo.

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Não parece, mas eu mal conseguia sorrir porque chorava

 A cerimônia passou feito um sonho, no começo mal sabia o que eu estava ouvindo hahaha a gente fica emocionada mesmo, meio perdida. Foi tudo muito lindo e emocionante.

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E a festa então? Maravilhosa! Ver todo mundo se divertindo foi a minha maior alegria. Não consegui comer  e beber NADA (a neurótica, né) mas eu estava realizada em cada sorriso que encontrava. Dancei muito e curti muito!


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O que eu posso dizer? Os preparativos foram cansativos, ouvi de muita gente que era desperdício de dinheiro fazer uma festa dessa, pensei em desistir outras vezes, mas depois que tudo passou só posso dizer que faria tudo de novo. Foi o dia mais lindo da minha vida!

Próximo post irei falar sobre as coisas que deveria e não deveria ter feito no casório!