Carta para Aurora – 1 Mês

23/12/2016

Você, enfim, chegou. Seu parto foi uma tsunami que passou por mim e esse mês eu me senti assim: sabe quando você toma um caldo de uma onda sem esperar? Quando você volta para a superfície e tem aquele sentimento de medo-alívio-desespero-tranquilidade-euforia-falta-de-ar?
É tudo tão esquisito, filha. Porque eu não sei mais quem eu sou. Não sei também quem você é. E você também tentando se descobrir, me descobrir e descobrir o mundo.
Admito que foi frustrante. Me falaram que você teria necessidade de estar perto de mim, que eu seria seu conforto e acalento. Mas eu te peguei no colo tantas vezes e não consegui te entender ou te confortar. Você me olha como se eu fosse uma estranha. O que é engraçado porque estávamos juntas há 10 meses, mas você só conhecia o meu avesso.
Falando em avesso, tá tudo de pernas pro ar. A casa, a vida, o sono, eu. Não me reconheço mais. Eu sou uma estranha para mim mesma.
Esse primeiro mês doeu, filha. Doeu o corpo voltando do parto, doeu a alma ao te ver chorar e não saber o que fazer, doeu o seio avermelhado, doeu o medo de não estar te nutrindo, doeu a consciência nas noites em que passei você para o seu pai ou sua avó porque eu não sabia mais o que fazer.
Queria ter tido mais paciência, mais segurança, mais calma. Seu pai e sua avó ajudam muito, mas a presença deles meio que impede que fiquemos só nós duas. Acho que deveriamos ter chorado juntas para, assim, nos reconciliarmos.
Eu termino esse mês sentindo que faltou pedir desculpas, filha. Por não saber o que estou fazendo, por talvez não estar tentando tanto quanto eu deveria.

Não me chame de forte ou corajosa

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Me sinto meio incomodada cada vez que alguém diz que eu fui forte, ou corajosa, por ter tido um parto natural. Sinto isso porque parece que me colocam em uma categoria a parte de mulheres, aquelas que pariram, e que isso só foi possível graças a uma qualidade individual minha (ser forte, ou ser corajosa).
Eu não fui mais forte ou corajosa do que qualquer outra mulher. Eu só fui bem informada e bem apoiada. A força e a coragem já estavam aqui, eu só precisei de informação suficiente para resgatá-las e de apoio suficiente para acreditar nelas.
Eu queria deixar claro para outras mulheres que parir é muito mais fácil do que fizeram a gente acreditar. Que não é preciso ser alguém muito especial para isso. É da nossa natureza, é do que somos feitas. É simples, orgânico, fisiológico.
Imprevistos acontecem, emergências também, graças a Deus temos a medicina e suas intervenções para lidar com essas casos. Mas a maioria, a grande maioria das mulheres, é capaz de parir sem ajuda. E foi isso que tiraram de nós e nos fizeram acreditar: que nosso corpo é defeituoso, falho ou incapaz, que o parto é algo para poucas escolhidas.
E por quê? Por que qual seria o interesse desse sistema machista e patriarcal em ter mulheres que soubessem quão forte é o corpo delas? E se todas mulheres percebessem que ninguém nasce sem a gente (que coisa né, tão óbvio)? Não é interessante para o sistema que a gente passe a acreditar em nós mesmas, é muito conveniente que a gente ache que quem salva é o médico, que somos espectadoras de um processo que é inteiramente nosso.
Aliás, também nos fazem ver que a intervenção é porque nosso corpo falhou (você não tem dilatação, sua bacia é muito estreita) e não porque imprevistos acontecem. Precisar de intervenção, quando essa é realmente necessaria, não faz ninguém mais ou menos incopetente.
Eu me senti orgulhosa do parto que tive e proporcionei para minha filha. Não porque me acho a mulher mais forte e corajosa que já existiu, mas por ter conseguido desafiar um sistema que coloca as mulheres como seres frágeis e incapazes. Nós criamos a vida, nós conseguimos colocá-la no mundo.
Então, meninas, moças e mulheres, se informem! Aprendam quais são as etapas do trabalho de parto, quais são as reais indicações de intervenção (ocitocina, cesárea, etc), para não cair na conversa de médico fofinho que só quer te cortar para ganhar o feriado (médico é gente, e gente pode ser bem perversa e interesseira). E procurem uma equipe e um acompanhante que te apóie. Não crie expectativas para o seu parto.

Somos todas fortes e corajosas só por sermos mulheres.

Relato de parto – Nascimento da Aurora (parte 03)

EXPULSIVO

Água quente. Alívio momentâneo.

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Mais força. Mais palavras de incentivo. Mas a minha sensação é que a bichinha está entalada, não vai sair nunca.
Alguém diz para ligar para a pediatra e mandar ela vir de verdade, agora sem tranquilidade. Bom sinal. Deve estar acabando.
Lembro de ter dado risada de alguma coisa. Lembro da Betina me dizer para sentir a cabecinha dela. Lembro de dizerem que é cabeluda.
(Detalhe: achei que tudo isso tinha acontecido na banheira, mas aconteceu quando estava deitada na cama. Só descobri vendo o vídeo depois).
Muita força, mas parece que não sai.Betina me lembra que a cada contração o bebê desce 2 milimetros. Não vai sair nunca, tá entalada. Chego a pensar que alguém poderia me ajudar, um fórceps, vácuo-extrator, sei lá, não lembro se cheguei a pedir.

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Abro olho e tem 4 mulheres na minha frente. Acho que foi a cena mais bonita do parto, porque tive essa lucidez. Foi fundamental vê-las, sentir essa energia feminina.
Levanta as pernas na hora do puxo. Inspira fundo e faz força comprida. Isso. Tá ótimo. Mas parece que nada acontece.
Betina sugere para eu ficar de cócoras. Vem a contração. Sinto a cabeça dela descer. Muda a dor. Arde, arde muito, arde que parece que eu vou rasgar no meio. Alguém diz: “olha o epi-no aí!”. Sinto medo. Por mim parava por aqui. Murilo me segura, me olha no olho, digo que não vou conseguir e ele diz que vou sim.

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Fico de pé e alivio. Nasceu, graças a Deus!
“Faz força, Camila, tá quase”
Como tá quase? E esse alivio? Não nasceu?
Olho embaixo das minhas pernas e a cabecinha dela tá ali. Mas não sai o resto! Espera a contração e vai.
Mais força.
Agora sim, nasceu.
Chegou no meu colo sei lá como. Já estou sentada na banheira de novo e Aurora no meu braço. Quente. Cheia de vérnix. Olhos fechados. Quieta.
“Benvinda, filha. A gente conseguiu!”

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Não chorou, nem respirou por 10 minutos. Cordão pulsando.
Pergunto para a pediatra se está tudo bem e ela me diz que só bebê da Globo que nasce chorando.Uma hora boceja e Betina diz que nunca viu bebê que nasce bocejando.
10 minutos depois, resmunga. Choro baixinho e tímido. Vai de roxo para rosa, respira sozinha, enfim.
Não lembro se placenta tinha saído já, ou se saiu depois. Mas saiu super fácil. Grande, quente, vermelha, achei linda. Celine (ou Betina, não lembro) perguntou se eu queria comer, mas não senti necessidade. Nem um pedacinho? Nem.

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Murilo corta o cordão que já não pulsava e pega a bebê. Saio da banheira para ir para a cama e PLOFT.

Até sonhei.

Acordo e Celine e Betina estão comigo. Eu desmaiei no corredor, mas jurava que tinha só dormido. Parir cansa.
Ficamos no quarto namorando a criaturinha que fazia um barulhinho engraçado, tipo um “é,é,é” que ela faz até hoje. Chegou perto do meu mamilo, abocanhou e dormiu. Nascer cansa também.

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Os gatos espalhados pela cama, a equipe conversando e rindo, Murilo do meu lado, Aurora no meu colo, tudo do jeito que tinha que ser.

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Uma palavra que resume o parto: intensidade.
Uma palavra que resume esse dia: realização.

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De informações técnicas: Aurora nasceu à 01:05 da manhã. Comecei a sentir as dores mais ou menos às 18 horas, então foram aproximadamente 7 horas de trabalho de parto. Nasceu com 52 centimetros e 3,680 quilos.
Não tive nenhuma laceração, períneo integro (viva o Epi.no!).
Foi com certeza a experiência mais intensa da minha vida, um verdadeiro rito de passagem. Das dores resta apenas uma memória da força dos puxos na hora do expulsivo, o que sobra na alma é amor e realização.

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Nossa equipe querida: Cris (fotógrafa), Betina (obstetra), Silvia (pediatra) e Celine (doula)

Relato de parto – Nascimento da Aurora (parte o2)

FASE ATIVA

Dói.
Celine chega e pergunta “e aí?”.
E aí que dói. Mas não sei se dói de contração ou dói de piriri, e eu achava que ia rolar umas pausas na dor, mas só dói! E dói o ciático também.
A partir daqui não tenho certeza de mais nada, então provavelmente essas memórias não estão na ordem cronológica.
Sei que entrei no banho de novo. Sei que Celine me fez massagem nas costas. Sei que uma hora disse que estava evoluindo bem e quando olhei tinha sangue no meu roupão. Acho que tomei mais um banho. Ou fui no banheiro. Deu vontade de fazer força e de repente eu estava encharcada de água quente. A bolsa estourou.
Mais dor. Alguns momentos de lucidez onde eu achava que não ia dar conta do que viria pela frente. Mais dor. Talvez eu tenha dormido. Teve uma hora em que vomitei.
Escuto um barulho de pulsação ritmada e vejo que Betina já chegou e está ouvindo o coração da bebê e fazendo um exame de toque em mim. Nem tinha percebido ela chegar.
Uma hora a dor muda. Vira uma intensidade imensa, a vontade de dormir some. Tenho que fazer força, não é uma opção. Muita força. A fotógrafa aparece ali na porta, também nem tinha visto ela chegar.

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Para quem diz que parto é a dor da morte. Dói, sim. Mas dor não é igual sofrimento, dá até para dar um sorrisinho =)

É forte demais. Mais forte do que eu. Alguém diz que é assim mesmo, que falta dilatar só 1 centimetro e esse final é difícil. Penso, e acho que digo, várias vezes que não vou aguentar.
Escuto a doula e a médica conversarem sobre ligar para a pediatra vir, mas vir tranquila.
Se a pediatra pode vir com calma é sinal que vai demorar. Desanimo, a intensidade é grande, é forte demais, mas é bom porque não dá para pensar. Quando eu penso, dá medo do que vai vir.
Alguém fala para irmos para a piscina que está montada na sala.

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Relato de parto – Nascimento da Aurora (Parte 01)

PRÓDROMOS E FASE LATENTE

40 semanas e sabe se lá quantos dias. Minha data provável de parto sempre foi incerta. Mas enfim, seja ela qual for, passou DPP, passou Maior-Super-Lua-De-Todos-os-Séculos, e nada. Nem uma contração. Umas cóliquinhas vez ou outra, no máximo.
Ansiedade tomando conta. Todas as amigas com a mesma DPP já pariram, menos eu. Quando desabafo, me mandam ficar calma, o nervoso atrapalha a ocitocina. Isso só me deixa mais nervosa ainda.
A barriga está alta (Betina, minha obstetra, diz que não quer dizer nada), o tampão não saiu (também não quer dizer nada), bebê tá se mexendo muito (ótimo sinal! Mas não quer dizer nada quanto ao trabalho de parto) tô sem dilatação (vou ter que repetir de novo, Camila?). Mas vamos fazer um descolamento de membranas, pronto, agora é esperar.
No mesmo dia resolvi fazer tudo que dissseram que dava certo: sessão de acupuntura, tomar chá de canela, subir escada, rebolar na bola de pilates, caminhar, beber uma taça de vinho, me despedir da barriga. Vou dormir pensando “é hoje! De hoje não passa!”.

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18/11 – Despedida da barriga

Acordo todo dia decepcionada. Mais uma noite e nada acontece.
Agora sim, 41 semanas e 2 dias, ou algo por aí. Segunda-feira, 21/11. Vamos descolar a bolsa de novo. E se não der certo? Aí iremos induzir. Medo. Quis chorar. Vi meus planos de parto domiciliar irem por água abaixo. A última coisa que queria era parar no hospital.
Segundo a Betina, o colo do útero está começando a dar sinal de que está trabalhando. Ainda diz que acha que vou continuar assim e quando o trabalho de parto começar, vai deslanchar.
Mas eu não sinto nada, só as coliquinhas.
Ela decide fazer acupuntura em mim. Diz que a dela funciona melhor. Espeta uma agulha na barriga e AI CARAMBA O QUE É ISSO?
Ela sorri. Tá doendo? Pra cacete. Barriga tá dura? Muito! Taí uma contração.
A minha primeira. Dói mesmo, mas dói feliz. Murilo, que era cético em acupuntura, passou a acreditar. Tipo São Tomé.
Saio da consulta e ela me diz que se não nascer até quarta vamos nos falando. Pergunto se preciso deixar marcado o retorno e ela me olha com certeza e diz que não vai precisar.
Vou dormir com cóliquinhas, o tampão começa a sair e mais um dia de esperança: de hoje não passa!

Acordo terça-feira. Passou. Não foi hoje.
Mando mensagem para Betina e ela diz para eu ficar calma e tomar um shake de óleo de ricino para ajudar. Tomo meio cética, na minha cabeça essa criança não vai nascer nunca, vai ter que induzir, ou cortar. Desanimada. Nos grupos de gestantes-índias-parideiras me dizem que parto é conexão. Decido me conectar então. Desligo o celular, ligo a playlist do parto, desço e subo os 10 andares de escada do prédio, entro no banho e converso com Aurora. Repito mil vezes “eu sei parir e minha filha sabe nascer”.
O tal do shake faz efeito: uma diarreia do capeta. Tenho uma cardiotocografia marcada e vou morrendo de medo por causa da dor de barriga infernal.No exame, a médica me diz que estou com contrações sem ritmo. Eu não sinto nada. Mentira, sinto vontade de ficar sentada na privada eternamente. Que ótimo, além de não sentir contrações, agora ainda vou ficar com esse piriri.

No caminho de volta para casa, mais dor de barriga, e agora junto com dor nas costas e uma dor no ciático que não me deixa colocar o pé no chão. Em casa, mal consigo jantar. Falo pro Murilo que tá doendo e não sei se é contração ou diarreia. Ele acha melhor avisar a nossa doula, Celine, e ela diz para ir observando e que logo passa para me ver, manda eu entrar no banho.

Água quente ajuda, mas a pressão começa a cair. Preciso deitar. Quero dormir, mas a dor não passa. Tenho certeza que não é contração. Primeiro porque a dor é aquela dor de ir no banheiro. Segundo, porque era para ter uma, ter um momento de descanso e depois ter outra. Murilo nem tenta cronometrar porque nem tem como, eu sinto dor o tempo todo.
Só tenho dor-dor-dor, tudo seguido, sem descanso.
Quero dormir, preciso dormir, mas dói.

 

PRECISAMOS FALAR SOBRE…

…como a maternidade é foda.

E não, ela não está sendo foda só para mim.
Ela é para toda mãe.
Principalmente para mães no puerpério.
Precisamos parar de romantizar a maternidade, de pintar de cor-de-rosa as dificuldades e de santificar o sacrifício de ser mãe.
Você ama seu filho, você quer o melhor do mundo para ele, você adora os sorrisos.
Mas não vem me dizer que é legal ficar sem dormir, com o peito sangrando e ouvindo uma criança berrar por horas seguidas.
O amor é o que te faz aguentar tudo isso e não sair correndo.
Recentemente postei uma foto da cria mamando e um desabafo sobre como tinha sido difícil meu dia com ela, mas que no final tudo valia a pena. Desde então recebi várias mensagens de pessoas preocupadas comigo, várias perguntando sobre depressão ou se eu não estava curtindo esse negócio de ser mãe. Eu agradeço, sinceramente, a preocupação de todos, são pessoas queridas e que se importam comigo, mas fiquei pensando: por que todo mundo ficou chocado ou preocupado com o que eu falei? Será que é por que só eu estou passando por dificuldades?
Não. Porque falar de dificuldades na maternidade é um tabu.
Duvido que todas as mães que leram meu relato não se identificaram com ele.
Mas pintam a maternidade de uma maneira em que você tem que ser a Virgem Mater Dolorosa e padecer no paraíso. Cada vez que você reclama de algo tem que ser justificado “nossa, não durmo há 7 dias hahaha mas eu amo meu filho!”, “nossa, meu peito tá estourado! Mas é por amor!”. Cada reclamação tem que vir acompanhada de uma declaração de amor, quase como um pedido de desculpas.

Mãe é gente.
Mãe não é santa.
Mãe pode ter tristeza sem precisar se justificar.
Mãe pode ficar cansada e reclamar disso sem precisar emitir atestado de que ama o filho incondicionalmente.

E eu vou continuar falando dos perrengues que estou passando, sim. Porque desde que me descobri grávida muito me falaram das dificuldades do parto e da gestação. Mas quando iam falar das dificuldades do puerpério e da criação sempre foi suavizado, mascarado, justificado.

Precisamos falar sobre isso, precisamos reclamar.

39 semanas

39 semanas.
Bateu um desespero (e quando não bate?), por um momento achei que você nunca mais iria querer sair de mim.
Na minha cabeça iríamos até as 37 semanas, 38 no máximo. No final do oitavo mês tudo estava tão intenso e dolorido, de repente calmaria. Nada acontece. Não sai tampão, não vem contração, nada, você se mexe confortável aqui dentro, parece que está bem.
Eu sou apressada, dinâmica, ansiosa. E você de novo vem me mostrar que a gestação não se dá no calendário. O que querem dizer 39 semanas para você? Absolutamente nada. O tempo cronometrado não faz parte do útero.
Em um momento de lucidez eu percebo o privilégio que é ter você aqui dentro. Confortável, feliz, nutrida, protegida. Sentir você mexendo, sentir seus solucinhos que eu tanto gosto.
E poder garantir um parto no seu tempo e do seu jeito. Sua saúde está ótima, a minha também. Então vamos ficar aqui unidas e esperar juntinhas. Quantas mulheres não queriam poder chegar nas 39, 40 ou 42 semanas? Quantos bebês não foram tirados antes da hora?
Me sinto privilegiada por poder garantir isso a você. Vem no seu tempo, filha. Você já entende muito mais disso do que eu.